Neste domingo, em que uma eleição presidencial tensiona o ambiente e reduz a nossa tranquilidade, me lembro de Ernst Bloch, um homem que não perdeu a esperança, mesmo tendo sofrido diretamente as consequências do nazismo.
Alemão de origem judaica, Bloch foi um filósofo marxista. A dupla condição, de judeu e de marxista o fez vítima da perseguição de um regime fascista. Em 1933, com o nazismo já apoderado do Estado, foi perseguido pela polícia e obrigado ao exílio; anos depois, foi destituído da cidadania alemã. Nos Estados Unidos, sem falar inglês, com privações materiais, isolado, perseverou e redigiu um livro que considero fundamental, O Princípio Esperança.
Como a vida não se desenha como queremos, sempre, ao voltar para a Alemanha, após o final da guerra, sofreu novas censuras e represálias. Foi aposentado compulsoriamente e, no ano de 1957, proibido de publicar.
Esse filósofo que sofreu por conta do ressentimento dos concidadãos, perseguido, desterrado e cesurado, manteve a perspectiva e nos ensinou que em meio ao caos é preciso manter uma atitude positiva. A coragem civil e a resistência nos definem, ainda que o futuro pareça um lugar assustador.
Não há por que queimar a esperança e deixar de viver. Como humanos que atravessamos o tempo e suas vicissitudes, não devemos nos render à desesperança, mas manter a mente aberta à possibilidade de construir um mundo diferente, humano, melhor, onde a dignidade das pessoas e a justiça não sejam palavras vazias.
As democracias sofreram, ao longo do século XX, atentados severos. Sociedades inteiras foram engolidas pelas trevas e, no entanto, resistiram por conta da capacidade dos seres humanos de encontrar saídas, mesmo quando tudo parece perdido. É importante nos lembrarmos de algo fundamental: nada está escrito. O futuro não repete o passado! É preciso levantar a cabeça e olhar firme para a frente, com a serenidade que a situação exige e o otimismo possível que só tem quem não desiste. Há trabalho a ser feito.
Bloch ensina, em seu Princípio Esperança, que a realidade não se resume aos fatos consumados, ao “que é”. Ela carrega algo latente, a possibilidade, o que “ainda não é”. É nisto que residem os nossos sonhos e as nossas possibilidades. Ele não diz para sonharmos acordados, pois isso é escapismo. O que devemos fazer é antecipar o futuro, produzir uma utopia concreta identificando as tendências da história e as contradições da realidade. É assim que vamos transformar o mundo e conduzir à verdadeira emancipação. Nada de se perder ou desanimar.
Essa é minha mensagem. Não sei se fui claro ou, como sempre sou, excessivamente prolixo e perdi o foco, mas o que quero dizer é que, em tempos como o que vivemos, não basta imaginar que a vitória de Lula significará a redenção. O ambiente deteriorou faz tempo e só piora. Temos trabalho a fazer e, para tanto, o primeiro passo é manter a esperança. E aqui concluo com uma citação extraída do prefácio de Bloch:
“O afeto da esperança sai de si, torna os homens amplos em vez de estreitá-los […] o trabalho deste afeto exige homens que se lançam ativamente no devir a que eles próprios pertencem.”
Vamos em frente, firmes. Força, amigos.

Obrigado por tudo Rogério!
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Pela generosidade, sabedoria e lealdade!
Sua causa é a nossa, também!