Carta aos amigos

Não há por que queimar a esperança e deixar de viver. Como humanos que atravessamos o tempo e suas vicissitudes, não devemos nos render à desesperança, mas manter a mente aberta à possibilidade de construir um mundo diferente, humano, melhor, onde a dignidade das pessoas e a justiça não sejam palavras vazias.

Março de 1976

A história avançava sob a sombra das ditaduras, e eu, uma criança em Araraquara, vivia entre a escola, o futebol e o catecismo. Enquanto generais e torturadores escreviam com sangue as páginas da América Latina, minha vida se resumia a partidas de botão com Evandro Malara, as aulas no Antônio Joaquim de Carvalho e os gols imaginários no estádio municipal. Só mais tarde entenderia que, em tempos sombrios, a infância é um refugio.