Futebol, fascismo e o fim da ilusão

O Morumbi já não é um estádio. É um set de filmagem. Os jogadores não são mais craques. São influencers de si mesmos. E eu, que um dia fui torcedor, assisto ao fim de um sonho coletivo.

O Morumbi já não é um estádio. É um set de filmagem. Os jogadores não são mais craques. São influencers de si mesmos. E eu, que um dia fui torcedor, assisto ao fim de um sonho coletivo.

Meu pai me ensinou a amar o São Paulo de Leônidas, Porphyrio da Paz e das vitórias. Hoje, vejo o clube ser traído por dirigentes e jogadores que não entendem o que é o amor ao tricolor.

A história avançava sob a sombra das ditaduras, e eu, uma criança em Araraquara, vivia entre a escola, o futebol e o catecismo. Enquanto generais e torturadores escreviam com sangue as páginas da América Latina, minha vida se resumia a partidas de botão com Evandro Malara, as aulas no Antônio Joaquim de Carvalho e os gols imaginários no estádio municipal. Só mais tarde entenderia que, em tempos sombrios, a infância é um refugio.