Rogério Baptistini

Rogério Baptistini

Rogério Baptistini é sociólogo e professor universitário. Dedica-se à análise das transformações sociais e políticas contemporâneas, com foco na democracia e na realidade brasileira.

No bar, a solidão e o fascismo: um relato sobre a morte do diálogo

O bar, espaço por excelência de encontros e ilusões festivas, transformou-se em espelho da barbárie cotidiana. Nele, a solidão não é apenas um sentimento, mas uma prisão; não pela ausência de pessoas, mas pela impossibilidade de diálogo, o primeiro passo para a morte do espaço público e a ascensão do fascismo que se esgueira pela vida real. Quando o chopp é pago antes do fim e a conversa se esvai em ódio fabricado, resta apenas a sensação de que tudo está perdido.

O São Paulo está linchando o próprio futuro

Jean Valjean foi perseguido por Javert por roubar um pão. Roger Machado é vaiado no Morumbi por aceitar um emprego. A diferença? Valjean tinha Victor Hugo para contar sua história. Roger tem apenas a fúria de uma torcida que, ao sacrificá-lo, está queimando o estádio por dentro.

Bourdieu, Han e o neoliberalismo cultural: a alienação como projeto

As universidades não formam cidadãos críticos. Em vez de questionar as desigualdades, ensinam a aceitá-las como "lei natural"; em vez de debater a exploração, vendem a ilusão de que 'você pode', desde que se esforce o suficiente. Mas o que parece um discurso de empoderamento é, na verdade, a face mais cruel do neoliberalismo: a transformação da alienação em projeto pedagógico.

O Paraguai é aqui: a pátria como mercadoria

Em 2025, o Paraguai concedeu mais de 23 mil autorizações de residência a brasileiros. A maioria desses emigrantes se identifica com a extrema-direita bolsonarista e justifica a fuga com um discurso vago: ‘sonho de direita’, ‘fuga da opressão’, ‘menos impostos’. Mas há um detalhe revelador: quando precisam de saúde pública, voltam ao Brasil. O fenômeno expõe uma contradição central do nosso tempo: a classe média que clama pelo Estado mínimo é a mesma que depende dele para sobreviver.

O capitalismo dos inconsumíveis: big techs, extrema direita e a morte da experiência humana

Imagine um mundo onde você não é explorado e simplesmente não existe. Não para o mercado, não para os algoritmos, não para o sistema. Você é um 'inconsumível': alguém cuja vida, cujos desejos, cujas necessidades foram julgadas sem valor por máquinas que decidem quem merece crédito, emprego ou até mesmo atenção. Esse mundo não é ficção. É o capitalismo algorítmico, onde big techs, extrema direita e neopentecostalismo se unem para fabricar uma nova casta de excluídos.