Rogério Baptistini

Rogério Baptistini

Rogério Baptistini é sociólogo e professor universitário. Dedica-se à análise das transformações sociais e políticas contemporâneas, com foco na democracia e na realidade brasileira.

A Argentina que Tarcísio não condecorou

Enquanto Tarcísio de Freitas estendia um tapete azul a Javier Milei no Palácio dos Bandeirantes, a Argentina verdadeira seguia de pé, resistindo à onda neoliberal que tenta apagar sua história de luta e soberania. A condecoração foi um ato de conivência com quem trata a democracia como obstáculo e a pátria alheia como moeda de troca.

A pátria não se vende

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, condecorou Javier Milei com a mais alta honraria do estado no mesmo dia em que o presidente argentino discursou na convenção que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência. Uma cena que resume, em poucas horas, a submissão de parte da elite brasileira a interesses estrangeiros.

A Geografia da alma e a luta da memória contra o esquecimento

O Brasil não é um erro. É um Mediterrâneo nos trópicos: luz, mistura, corpo, vida. A elite e a extrema-direita querem nos transformar em um Norte frio, puritano e opressor. A batalha pela alma do país é, como diz o personagem Mirek, de Kundera, a luta da memória contra o esquecimento. E nós, o povo, somos a memória que resiste.

19 de julho, Dia Nacional do Futebol

Em 18 de julho de 2026, a BBC Brasil publicou uma matéria sobre o Dia Nacional do Futebol e a história do Sport Club Rio Grande, o clube mais antigo do Brasil. Colaberei com o repórter Edison Veiga usou para ajudar a enteder como a ditadura militar instrumentalizou o futebol como ferramenta de propaganda, como o Rio Grande resistiu ao esquecimento e por que o 19 de julho — data de fundação do clube — foi escolhido para a efeméride.

Bets no Brasil: o cassino da desigualdade e a captura da esperança

Em um país onde a desigualdade social é um fato básico da vida e a ascensão pelo trabalho é quase uma ilusão, as plataformas de apostas online (bets) encontraram terreno fértil. Mais do que um fenômeno econômico, as bets se tornaram um problema de saúde pública, alimentado pela conivência de políticos, pela captura algorítmica da subjetividade e pela promessa falaciosa de enriquecimento fácil.

Bielsa, o último romântico

A seleção uruguaia foi eliminada da Copa do Mundo de 2026, e a mídia já encontrou o culpado: Marcelo Bielsa. A covardia de atribuir o fracasso a um único homem revela mais sobre quem o culpa do que sobre ele. Em um mundo onde o futebol virou entretenimento explorado por grupos financeiros, Bielsa é um resistente. E é por isso que o atacam.

Educação cívica é a saída contra a barbárie

Em meio ao debate sobre a inclusão obrigatória de conteúdos de educação política e direitos da cidadania no currículo escolar, concedi esta entrevista à Sputnik Brasil. O projeto, já aprovado pelo Senado e aguardando sanção presidencial, é mais um capítulo na luta pela formação de uma cidadania crítica e informada, condição essencial para a sobrevivência da democracia em um país marcado por golpes, autoritarismo e a manipulação de massas.

Lula, Messias e o custo da representatividade religiosa no STF

No dia 29 de maio, durante uma agenda oficial em Sergipe, o presidente Lula anunciou a intenção de reindicar Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao Nexo Jornal, analisei os riscos dessa escolha: desde o reforço à lógica da representatividade religiosa em um Estado laico até o desgaste político frente a um Senado hostil.

Em nome de Deus: a religião como arma da extrema-direita

Em nome de Deus, a extrema-direita global constrói seus demônios e justifica suas guerras. De Hitler a Trump, a religião é transformada em arma política: um instrumento de ódio, polarização e manipulação de massas. Mas a história mostra que, quando a fé vira ferramenta de poder, o que se perde é a humanidade.