Rogério Baptistini

Rogério Baptistini

Rogério Baptistini é sociólogo e professor universitário. Dedica-se à análise das transformações sociais e políticas contemporâneas, com foco na democracia e na realidade brasileira.

A farsa de Trump na ONU: superinteligência e negacionismo climático

A mudança de nome da Inteligência Artificial para "superinteligência", anunciada por Trump na ONU, não é um mero capricho linguístico. É uma estratégia de poder: transformar a IA em um objeto de fé, intocável e inquestionável, para justificar seu controle por uma elite tecnocrática. Enquanto a China avança na corrida tecnológica, os EUA tentam impor uma narrativa de supremacia, desumanizando o debate e desviando a atenção dos problemas reais: quem controla a IA, como ela é regulada e a quem ela serve.

A democracia em tempos de não-coisas: a colonização do imaginário e a morte da capacidade crítica

Em uma época em que o debate público foi reduzido ao espetáculo da indignação encomendada, a democracia não morre por um golpe dramático, mas pela erosão silenciosa do pensamento crítico. O verdadeiro campo de batalha contemporâneo não é apenas político ou econômico; é a disputa pelo controle do nosso imaginário e pela sobrevivência da própria educação pública.

Sociologia para além dos muros e a imaginação como resistência

Em um mundo onde algoritmos manipulam comportamentos, elites desprezam a coexistência e o capitalismo de plataformas precariza o trabalho, a sociologia deve ser resistência. Ferramenta para conectar biografias a estruturas históricas, desmontar ilusões de época e recriar o mundo. Uma sociologia pública, que recusa a alienação e aposta na imaginação como arma contra a naturalização da opressão.

Os liberticidas, a mentira industrializada e a destruição da democracia

Vivemos um tempo em que os algozes da liberdade se apresentam como seus paladinos, e os defensores da mentira, como vítimas. Os liberticidas, com sua retórica de ódio e sua fé cega em palavras vazias corrompem a democracia por dentro, transformando a alienação em programa e a ignorância em virtude. Este é o retrato de um Brasil onde a verdade se tornou refém de interesses antinacionais e antipopulares.

Mídia e judiciário no processo de desestabilização da democracia brasileira

Enquanto a Constituição de 1988, a "Constituição Cidadã", completa mais de três décadas como pilar da democracia brasileira, setores reacionários intensificam sua investida para desestabilizá-la. Com estratégias que incluem lawfare, vazamentos seletivos e a instrumentalização política do Judiciário, a democracia brasileira enfrenta uma erosão silenciosa. Em meio a um cenário de manipulação midiática, o país assiste à ascensão de um projeto autoritário que ameaça as conquistas sociais e os direitos fundamentais.

Capital financeiro e eleições brasileiras: o povo na linha de tiro

O capitalismo financeiro não tem mais onde se esconder. Com pilhas de capital acumulado e sem realização na economia real, o sistema precisa destruir para reiniciar seu ciclo de acumulação. Nas eleições de 2026, o povo brasileiro está na linha de tiro entre a precarização do trabalho, a concentração de riqueza e o autoritarismo que sempre volta para garantir os privilégios dos rentistas. A democracia e os direitos sociais, mais uma vez, sob ataque.

O jantar de Flávio Bolsonaro e a guerra contra o Estado social

Em um jantar discreto, Flávio Bolsonaro selou com banqueiros e gestores de investimento o destino que o mercado financeiro reserva ao Brasil: austeridade, cortes em direitos sociais e o desmonte do Estado como projeto de nação. Não foi um simples encontro, mas um ato de guerra contra o Estado social, repetindo a estratégia que, em 1954, levou Getúlio Vargas ao suicídio e, hoje, mira Lula e a Constituição de 1988.

A mídia corporativa e a desestabilização da democracia

A sabatina de Lula na Globo não foi jornalismo. Foi um ato político. Em 40 minutos de entrevista, 25 foram dedicados à corrupção. A mídia corporativa brasileira tem lado e sua estratégia é clara: associar, repetir e manchar. Enquanto a extrema-direita avança com discursos moralistas e sem propostas, a mídia insiste em pautar o debate pela indignação, alimentando o clima de escândalo que beneficia os inimigos da democracia.