Rogério Baptistini

Rogério Baptistini

Rogério Baptistini é sociólogo e professor universitário. Dedica-se à análise das transformações sociais e políticas contemporâneas, com foco na democracia e na realidade brasileira.

Futebol, política e estereótipos: a Argentina da resistência popular

A Argentina é frequentemente retratada como um país soberbo, mas essa visão esconde uma rica história de resistência popular contra a imposição de modelos alheios. Em entrevista à BBC Brasil, tentei desmontar o estereótipo, mostrando como o futebol, a política e a cultura argentina desafiam a ordem estabelecida. De Maradona a Milei, do potrero ao tango, a Argentina é um laboratório de tensões entre elite e povo, civilização e barbárie. Confira a entrevista completa, sem edições, e entenda por que a Argentina incomoda tanto.

As eleições, o Supremo Tribunal e a ameaça autoritária

A democracia brasileira está em xeque. A extrema direita avança com uma estratégia para ganhar o Senado, cassar ministros do STF e aparelhar o Judiciário. Com 20% da Corte já sob controle — como admitiu Bolsonaro ao se referir a Mendonça e Nunes Marques —, o plano é enfraquecer as instituições, blindar aliados e usar o Direito como arma política. Sem um freio forte, o Estado de Direito pode virar história.

A eleição presidencial e a batalha entre democracia e fascismo no Brasil

A eleição de 2026 no Brasil é uma batalha civilizatória entre democracia e fascismo, entre soberania e submissão ao capital financeiro global. Enquanto o governo petista defende a diversificação de parcerias (BRICS, China) e a redistribuição de riqueza, a extrema-direita busca desestabilizar o país para recolocá-lo sob o controle de um sistema que não pode realizar suas promessas sem destruir a si mesmo.

1964 e 2026: o mesmo padrão de desestabilização

Em 1964, os adversários da soberania usaram a imprensa para difundir a ideia de um “perigo comunista” e justificar o golpe. Em 2026, os mesmos instrumentalizam uma citação histórica de Lula para criar instabilidade. A estratégia é antiga: manipular a opinião pública, desestabilizar o governo eleito e impor interesses externos. A democracia brasileira, mais uma vez, está sob ameaça.

A Argentina que Tarcísio não condecorou

Enquanto Tarcísio de Freitas estendia um tapete azul a Javier Milei no Palácio dos Bandeirantes, a Argentina verdadeira seguia de pé, resistindo à onda neoliberal que tenta apagar sua história de luta e soberania. A condecoração foi um ato de conivência com quem trata a democracia como obstáculo e a pátria alheia como moeda de troca.

A pátria não se vende

Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, condecorou Javier Milei com a mais alta honraria do estado no mesmo dia em que o presidente argentino discursou na convenção que lançou Flávio Bolsonaro à Presidência. Uma cena que resume, em poucas horas, a submissão de parte da elite brasileira a interesses estrangeiros.

A Geografia da alma e a luta da memória contra o esquecimento

O Brasil não é um erro. É um Mediterrâneo nos trópicos: luz, mistura, corpo, vida. A elite e a extrema-direita querem nos transformar em um Norte frio, puritano e opressor. A batalha pela alma do país é, como diz o personagem Mirek, de Kundera, a luta da memória contra o esquecimento. E nós, o povo, somos a memória que resiste.