Londres 2005, Minneapolis 2026: A mesma guerra contra imigrantes

O assassinato de uma mulher por agentes federais em Minneapolis, neste início de 2026, não é um evento isolado, mas o sintoma de uma engrenagem global.

O assassinato de uma mulher por agentes federais em Minneapolis, neste início de 2026, não é um evento isolado, mas o sintoma de uma engrenagem global.

Antes do colapso das instituições, instala-se o delírio. O espetáculo digital e a corrosão das mediações públicas do real enfraquecem o julgamento democrático. Mais do que a perda de consensos, está em jogo a capacidade de disputar a realidade sem destruir o vínculo político.

Há algumas décadas, acreditávamos que o futuro seria feito de certezas: democracias consolidadas, fronteiras dissolvidas pelo comércio global e tecnologias que nos libertariam do trabalho alienante. Hoje, sabemos que o sólido não resistiu. O capital se tornou um jogo de especulação e dívidas, o trabalho virou algoritmos e tarefas precárias, e a política, um espetáculo de ressentimentos.

No Brasil de 2025, a pauta da segurança pública tornou-se o último refúgio de uma direita acuada. O termo “neutralização de criminosos”, usado por agentes públicos e reproduzido por parte da imprensa, serve de eufemismo para execuções extrajudiciais.

Nelson Rodrigues continua sendo um autor incômodo porque não cabe nos esquemas morais nem políticos do presente. Ele se dizia conservador, mas sua obra é uma denúncia implacável da família patriarcal, do moralismo religioso e da hipocrisia.

A crise da ordem internacional, a ascensão de novas potências e a fragilização das democracias não são fenômenos isolados, mas expressões de um mesmo desajuste profundo. Pensar esse tempo e o lugar do Brasil nele é uma tarefa urgente.

A república e a democracia não são ornamentos institucionais dessa forma estatal. Elas radicalizam a ideia de que o destino comum deve ser deliberado por cidadãos livres e iguais. Onde há privilégios, há regressão política.