Num país onde o autoritarismo vira normalidade, a corrupção é naturalizada e a soberania é negociável, Flávio Bolsonaro não é um acidente, mas a consequência lógica de um sistema que premia a mediocridade e pune a democracia. Afinal, em um Brasil dominado por interesses privados, o ridículo não tem limites e o presidenciável é apenas o espelho de quem o apoia.
Eu me pergunto o que qualifica o senador Flávio Bolsonaro para exercer a presidência do Brasil e não encontro uma resposta válida. Não fosse a situação excepcional que alçou seu pai, um deputado do baixíssimo clero, à condição de presidente, ele continuaria a ser um político anônimo, alvo de investigações por esquemas de enriquecimento que teriam contribuído para a fortuna de sua família.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e seus três filhos políticos são figuras atípicas numa sociedade que está naturalizando o autoritarismo. Falam de armas, confundem política com religião, gritam contra as minorias e os direitos fundamentais previstos na Constituição e, não raro, ameaçam eliminar adversários ou ceder a soberania brasileira aos Estados Unidos. São aliados incondicionais do presidente norte-americano Donald Trump.
Por conta de interesses pouco transparentes, setores do mercado financeiro, que se ocultam sob a designação genérica de “o mercado”, apoiam Flávio Bolsonaro, mesmo com seu envolvimento com figuras como o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por crimes contra o sistema financeiro. Para essa gente, ele representaria estabilidade, embora o país apresente indicadores econômicos positivos, fato negado apenas por analistas alinhados à direita e à extrema-direita.
Se há uma crise no Brasil atual, ela é alimentada pelos políticos bolsonaristas e seus aliados, que no Congresso sabotam o governo e atentam contra a institucionalidade democrática, desrespeitando decisões da Justiça. Além disso, governadores e prefeitos extremistas insistem em negar o pacto federativo e usam as polícias militares e as guardas municipais como se fossem milícias, agindo com violência desmedida contra manifestantes e movimentos sociais.
E, para completar o cenário, há os empresários do agronegócio, um setor altamente incentivado pelo governo atual, que fazem uma oposição desonesta, boicotando eventos oficiais e recusando-se a receber o presidente e os seus ministros.
Flávio Bolsonaro certamente é presidenciável porque, neste Brasil, o ridículo não conhece parada. E há gente endinheirada no mercado, no agronegócio e exercendo mandatos políticos tão distanciada da noção de bem público que não compreende o que é fazer parte de uma sociedade democrática. Enxergam o mundo a partir de uma perspectiva privada e mesquinha, baseada, sobretudo, no ódio aos diferentes. Assim agem porque idolatram apenas o que podem comprar.
No mundo dominado pelo dinheiro, não surpreende que um senador da República solicite milhões a um banqueiro e que parte desse dinheiro seja enviada para um fundo nos Estados Unidos. Afinal, para eles, trata-se de um negócio entre privados! É igualmente tolerado que uma prefeitura encaminhe dinheiro público para uma produtora sem experiência em cinema. Afinal, o prefeito “apoia a cultura”! E é corriqueiro que deputados estaduais e federais destinem verbas públicas para a produção de filmes de exaltação ao pai do presidenciável. O problema, claro, é que a Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União ousam investigar possíveis casos de lavagem de dinheiro, desvio de recursos e financiamento ilícito.
De fato, Flávio Bolsonaro é candidato porque é perfeito para a gente que o quer.

Perfeito professor! Oportuno revelar a elite econômica, social e política podre!
Mais uma vez, obrigado por nos representar!👏👏👏👏👏
Mas ainda o veremos no horário político clamando a Deus. Que gente odiável.