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O Senado, o STF e a fascistização da democracia brasileira

A rejeição do candidato indicado por Lula ao STF pelo Senado não foi uma derrota política: foi um ataque à democracia. Comemorações como 'gol' em plenário, sabatinas sem debate de mérito e a normalização da obstrução revelam a estratégia da extrema-direita para corroer as instituições por dentro. Norberto Bobbio chamaria este processo de fascistização da democracia. O Congresso vira trincheira e o adversário é tratado como inimigo a ser aniquilado.

A mídia, o STF e o roteiro autoritário

O Supremo Tribunal Federal tornou-se o alvo de uma campanha orquestrada por setores da grande mídia, de políticos conservadores e de elites econômicas. As críticas desproporcionais ao órgão não são inocentes. Elas seguem um roteiro autoritário global, com paralelos claros nos Estados Unidos de Trump e na Hungria de Orbán: ataques às instituições, criação de crises artificiais, uso das redes digitais para amplificar versões e propostas de "reformas" que, na prática, visam capturar o Estado.

O PT e a viagem redonda: ascetismo, vantagem do atraso e os limites da falta de um projeto mudancista

O Partido dos Trabalhadores nasceu prometendo romper com o atraso da política brasileira. Quatro décadas depois, sua trajetória revela um processo recorrente de acomodação estrutural ao sistema que prometeu transformar. Um projeto moderno, ascético e democratizante acabou reproduzindo o patrimonialismo que pretendia superar. O atraso passou a ser utilizado como vantagem para a manutenção no poder, num movimento que ajuda a explicar os limites do partido.

A democracia atacada pela mentira e pelo fundamentalismo

A democracia está sob ataque coordenado. De um lado, a mentira institucionalizada, blindada pela imunidade parlamentar e amplificada por algoritmos que lucram com o ódio. Do outro, o fundamentalismo religioso, que transformou o Congresso em trincheira de uma moral seletiva, subvertendo a laicidade do Estado e criminalizando direitos.