A Casa Verde de Milei: o continente da insensatez

O governo Milei tem sido marcado por uma queda histórica na utilização da capacidade industrial e uma reprimarização da economia que ignora os desafios do capitalismo de plataforma.

O governo Milei tem sido marcado por uma queda histórica na utilização da capacidade industrial e uma reprimarização da economia que ignora os desafios do capitalismo de plataforma.

Ao substituir o pensamento crítico pelo empreendedorismo neoliberal, governos como os de São Paulo, Paraná e Goiás não apenas alteram currículos, mas pavimentam o caminho para uma massa acrítica, governada por algoritmos e mitos digitais.

Enquanto os algoritmos aceleram a marcha do 'tecnofeudalismo', a Argentina de Javier Milei busca no passado a fórmula para o futuro do trabalho. Ao resgatar jornadas exaustivas e desmantelar redes de proteção social, a nova legislação portenha ignora as conquistas do século XX e faz ecoar as denúncias de Friedrich Engels em 1845: a transformação da vida humana em mera engrenagem descartável de uma guerra social.

Sob o pretexto de 'defesa da família' conservadora e cristã, setores neopentecostais tentam impor um adestramento moral que ignora cinco séculos de formação social brasileira.

A controvérsia em torno do enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que exaltou o presidente Luís Inácio Lula da Silva em ano eleitoral, aponta para algo mais profundo do que uma disputa jurídica sobre os limites da legislação ou um debate moral sobre o uso político do Carnaval.

O Partido dos Trabalhadores nasceu prometendo romper com o atraso da política brasileira. Quatro décadas depois, sua trajetória revela um processo recorrente de acomodação estrutural ao sistema que prometeu transformar. Um projeto moderno, ascético e democratizante acabou reproduzindo o patrimonialismo que pretendia superar. O atraso passou a ser utilizado como vantagem para a manutenção no poder, num movimento que ajuda a explicar os limites do partido.

Ao perdermos o chão comum, perdemos a capacidade de distinguir a verdade da mentira, tornando-nos presas fáceis para narrativas que se alimentam do medo. No rastro dessa desolação, o bolsonarismo e seus pares globais surgem não como causas, mas como sintomas de uma sociedade que esqueceu como se encontrar.

A situação de Julio De Vido ultrapassa o domínio das decisões judiciais e se insere num campo onde política, cultura institucional e distribuição de poder se entrelaçam.

Reflexão sobre como a inovação local, a memória histórica e a articulação política podem responder aos desafios da desindustrialização, da dependência tecnológica e da fragmentação social

A democracia está sob ataque coordenado. De um lado, a mentira institucionalizada, blindada pela imunidade parlamentar e amplificada por algoritmos que lucram com o ódio. Do outro, o fundamentalismo religioso, que transformou o Congresso em trincheira de uma moral seletiva, subvertendo a laicidade do Estado e criminalizando direitos.