Tag Cultura Brasileira

No bar, a solidão e o fascismo: um relato sobre a morte do diálogo

O bar, espaço por excelência de encontros e ilusões festivas, transformou-se em espelho da barbárie cotidiana. Nele, a solidão não é apenas um sentimento, mas uma prisão; não pela ausência de pessoas, mas pela impossibilidade de diálogo, o primeiro passo para a morte do espaço público e a ascensão do fascismo que se esgueira pela vida real. Quando o chopp é pago antes do fim e a conversa se esvai em ódio fabricado, resta apenas a sensação de que tudo está perdido.

A morte das humanidades: como a universidade brasileira se tornou uma escola de obediência

A universidade brasileira deixou de ser um espaço de formação crítica para se tornar uma linha de produção de sujeitos obedientes. Sobo argumento da ‘empregabilidade’ e da ‘eficiência’, as humanidades foram esvaziadas, a reflexão foi substituída pela técnica, e o que restou foi uma geração adestrada para o mercado e suscetível aos discursos autoritários que hoje ameaçam a democracia.

Ratinho, o Torquemada de botequim

Em um país onde a televisão há décadas transforma a miséria em espetáculo e a política em circo, não surpreende que um ex-feirante enriquecido, donatário de concessões públicas e pai de um governador, use seu programa para vomitar preconceitos contra minorias. O que espanta é a naturalidade com que a sociedade aceita que um bufão como Ratinho encarne o pior do homem médio brasileiro: ignorante, endinheirado e certo de que o dinheiro compra até o direito de definir quem é mulher.

O tempo do samba e o tempo do poder

A controvérsia em torno do enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que exaltou o presidente Luís Inácio Lula da Silva em ano eleitoral, aponta para algo mais profundo do que uma disputa jurídica sobre os limites da legislação ou um debate moral sobre o uso político do Carnaval.