Categoria Ensaios

O reverso da soberania: de 1947 aos “patriotas” de aluguel

A soberania, quando conveniente, é princípio sagrado. Quando inconveniente, é detalhe negociável. O Brasil de 2026 assiste, com estranha familiaridade, à repetição de um roteiro conhecido: os mesmos que, em 1947, justificaram a cassação do Partido Comunista em nome da nação, apelam hoje a uma potência estrangeira para interferir nos destinos do país. O reverso da soberania tem nome, endereço e partido.

Habermas e o naufrágio da razão

A morte de Jürgen Habermas não encerra apenas a trajetória de um dos últimos grandes herdeiros da Escola de Frankfurt: ela expõe o esgotamento do projeto iluminista. Hoje, assistimos ao derruimento da esfera pública pela insensatez algorítmica, que substitui o diálogo pela manipulação e a razão pela fragmentação.

8 de Março: o feminicídio como estratégia de controle social

A luta pelo reconhecimento da plena autonomia feminina é uma batalha concreta. Ela se trava diariamente, em todos os espaços. Hoje, nas ruas, nas casas e nas redes digitais, há a naturalização do ódio e a desqualificação dos direitos humanos. Esse fenômeno é parte de um projeto de poder conservador e autoritário, que avança sobre as conquistas das mulheres e de toda a sociedade.

O projeto da ignorância e a recorrência do golpe

De 1954 à Lava Jato, passando pelas atuais coberturas seletivas da mídia, a lógica é a mesma: desviar o foco da soberania nacional para manter o povo sitiado. A história é antiga, mas o desfecho agora, como antes, dependerá da nossa capacidade de enxergar a engrenagem que nos sabota.

Da “Fúria Épica” ao martírio real

Entre o marketing da 'Fúria Épica' e o silêncio dos escombros em Gaza, o Oriente Médio assiste a uma nova e perigosa escalada. Enquanto Trump e Netanyahu reeditam táticas de desumanização sob o pretexto da segurança global, os registros históricos revelam um projeto de poder persistente.

O tempo do samba e o tempo do poder

A controvérsia em torno do enredo da Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, que exaltou o presidente Luís Inácio Lula da Silva em ano eleitoral, aponta para algo mais profundo do que uma disputa jurídica sobre os limites da legislação ou um debate moral sobre o uso político do Carnaval.