Categoria Ensaios

O PT e a viagem redonda: ascetismo, vantagem do atraso e os limites da falta de um projeto mudancista

O Partido dos Trabalhadores nasceu prometendo romper com o atraso da política brasileira. Quatro décadas depois, sua trajetória revela um processo recorrente de acomodação estrutural ao sistema que prometeu transformar. Um projeto moderno, ascético e democratizante acabou reproduzindo o patrimonialismo que pretendia superar. O atraso passou a ser utilizado como vantagem para a manutenção no poder, num movimento que ajuda a explicar os limites do partido.

A loucura antes da ruína

Antes do colapso das instituições, instala-se o delírio. O espetáculo digital e a corrosão das mediações públicas do real enfraquecem o julgamento democrático. Mais do que a perda de consensos, está em jogo a capacidade de disputar a realidade sem destruir o vínculo político.

A dissolução do sólido na era da incerteza

Há algumas décadas, acreditávamos que o futuro seria feito de certezas: democracias consolidadas, fronteiras dissolvidas pelo comércio global e tecnologias que nos libertariam do trabalho alienante. Hoje, sabemos que o sólido não resistiu. O capital se tornou um jogo de especulação e dívidas, o trabalho virou algoritmos e tarefas precárias, e a política, um espetáculo de ressentimentos.