Capitalismo de vigilância: como dados e algoritmos estão destruindo a democracia

O capitalismo, hoje, se alimenta de dados, algoritmos e da capacidade de manipular comportamentos em escala global.

O capitalismo, hoje, se alimenta de dados, algoritmos e da capacidade de manipular comportamentos em escala global.

O futebol, às vezes, guarda lições que a política insiste em esquecer.

Donald Trump não apenas mudou a política externa dos EUA; ele rompeu com o princípio da autocontenção, inaugurando a era do “multilateralismo zumbi”. O resultado? Uma multipolaridade sem centro onde todos exploram os dividendos do caos. A ordem internacional construída…

Antes do colapso das instituições, instala-se o delírio. O espetáculo digital e a corrosão das mediações públicas do real enfraquecem o julgamento democrático. Mais do que a perda de consensos, está em jogo a capacidade de disputar a realidade sem destruir o vínculo político.

Há algumas décadas, acreditávamos que o futuro seria feito de certezas: democracias consolidadas, fronteiras dissolvidas pelo comércio global e tecnologias que nos libertariam do trabalho alienante. Hoje, sabemos que o sólido não resistiu. O capital se tornou um jogo de especulação e dívidas, o trabalho virou algoritmos e tarefas precárias, e a política, um espetáculo de ressentimentos.

No Brasil de 2025, a pauta da segurança pública tornou-se o último refúgio de uma direita acuada. O termo “neutralização de criminosos”, usado por agentes públicos e reproduzido por parte da imprensa, serve de eufemismo para execuções extrajudiciais.

A crise da ordem internacional, a ascensão de novas potências e a fragilização das democracias não são fenômenos isolados, mas expressões de um mesmo desajuste profundo. Pensar esse tempo e o lugar do Brasil nele é uma tarefa urgente.

A república e a democracia não são ornamentos institucionais dessa forma estatal. Elas radicalizam a ideia de que o destino comum deve ser deliberado por cidadãos livres e iguais. Onde há privilégios, há regressão política.