
Futebol, fascismo e o fim da ilusão
O Morumbi já não é um estádio. É um set de filmagem. Os jogadores não são mais craques. São influencers de si mesmos. E eu, que um dia fui torcedor, assisto ao fim de um sonho coletivo.

O Morumbi já não é um estádio. É um set de filmagem. Os jogadores não são mais craques. São influencers de si mesmos. E eu, que um dia fui torcedor, assisto ao fim de um sonho coletivo.

Meu pai me ensinou a amar o São Paulo de Leônidas, Porphyrio da Paz e das vitórias. Hoje, vejo o clube ser traído por dirigentes e jogadores que não entendem o que é o amor ao tricolor.

Em 18 de julho de 2026, a BBC Brasil publicou uma matéria sobre o Dia Nacional do Futebol e a história do Sport Club Rio Grande, o clube mais antigo do Brasil. Colaberei com o repórter Edison Veiga usou para ajudar a enteder como a ditadura militar instrumentalizou o futebol como ferramenta de propaganda, como o Rio Grande resistiu ao esquecimento e por que o 19 de julho — data de fundação do clube — foi escolhido para a efeméride.

A seleção uruguaia foi eliminada da Copa do Mundo de 2026, e a mídia já encontrou o culpado: Marcelo Bielsa. A covardia de atribuir o fracasso a um único homem revela mais sobre quem o culpa do que sobre ele. Em um mundo onde o futebol virou entretenimento explorado por grupos financeiros, Bielsa é um resistente. E é por isso que o atacam.

A camisa amarela, outrora símbolo de união, hoje é bandeira de ódio. E os jogadores celebram com gestos religiosos enquanto o capital celebra o fim de um esporte que já foi resistência. Ao povo resta a conversão ou o vício das apostas.

Em junho de 2020, o Estado de São Paulo publicou este artigo que escrevi. Era ano de pandemia, sem Copa, sem estádio aberto. Mesmo com a tragédia, o futebol-negócio não parou. Seis anos depois, com a Copa de 2026 começando, republico o texto. O diagnóstico continua de pé. O paciente, que é o futebol, continua piorando.