A hora contada: regressão e mercantilização do trabalho

O Senado vota a redução da jornada para 40 horas semanais, sem corte de salário. A resposta da extrema direita está posta na remuneração apenas pelas horas efetivamente trabalhadas, acordo individual no lugar da negociação coletiva e o domingo reduzido a variável de demanda. O nome clássico disso é mais-valia absoluta; o desfecho previsto por Robert Castel, desfiliação social. É o alimento do fascismo.

Lula, o PT e o nó da rejeição.

Entrevista concedida na segunda-feira, logo após o primeiro turno das eleições presidenciais, com avaliação do desempenho de Lula no primeiro turno e as perspectivas para o segundo. As pressões externas do governo de Donald Trump, a desinformação que corre solta nas redes digitais e o pânico semeado pelo agronegócio e pelo setor financeiro junto ao eleitorado formam o pano de fundo que as perguntas e respostas não alcançam, e sem o qual nenhuma leitura da disputa é completa.

A farsa de Trump na ONU: superinteligência e negacionismo climático

A mudança de nome da Inteligência Artificial para "superinteligência", anunciada por Trump na ONU, não é um mero capricho linguístico. É uma estratégia de poder: transformar a IA em um objeto de fé, intocável e inquestionável, para justificar seu controle por uma elite tecnocrática. Enquanto a China avança na corrida tecnológica, os EUA tentam impor uma narrativa de supremacia, desumanizando o debate e desviando a atenção dos problemas reais: quem controla a IA, como ela é regulada e a quem ela serve.

A democracia em tempos de não-coisas: a colonização do imaginário e a morte da capacidade crítica

Em uma época em que o debate público foi reduzido ao espetáculo da indignação encomendada, a democracia não morre por um golpe dramático, mas pela erosão silenciosa do pensamento crítico. O verdadeiro campo de batalha contemporâneo não é apenas político ou econômico; é a disputa pelo controle do nosso imaginário e pela sobrevivência da própria educação pública.