Carta aos amigos

Não há por que queimar a esperança e deixar de viver. Como humanos que atravessamos o tempo e suas vicissitudes, não devemos nos render à desesperança, mas manter a mente aberta à possibilidade de construir um mundo diferente, humano, melhor, onde a dignidade das pessoas e a justiça não sejam palavras vazias.

O idiota ressentido

O ressentimento mantém viva a memória do agravo, dirige a agressividade para fora e impede a elaboração simbólica do que se vive. Em vez de perguntar o que pode fazer para mudar a própria condição, o ressentido pergunta quem deve ser punido.

O que a tolerância protege

De John Locke a Hannah Arendt, o que a tolerância protege é a pluralidade. Este ensaio conjectura que as redes digitais reproduzem, sem terror e por outros meios, algumas das condições que Arendt associou ao totalitarismo. Às vésperas do 2º turno, uma advertência e uma tarefa.

O pombo e a fronteira

Na noite deste domingo (18), a sete dias do segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro encontram-se pela primeira vez cara a cara, no debate da TV Bandeirantes. Inspirado no agonismo de Chantal Mouffe, este este ensaio propõe que o palco não serve para consensos, mas para mostrar ao eleitor por onde passa a fronteira entre a democracia e a barbárie.

Capturar o vento: o que os índices de felicidade não medem

Finlândia, pelo nono ano consecutivo, no topo do Relatório Mundial da Felicidade. Costa Rica, de volta ao primeiro lugar do Happy Planet Index e, pela primeira vez, entre os cinco países mais felizes do mundo. Nunca se mediu tanto a felicidade e nunca a medição disse tão pouco sobre a vida que as pessoas levam. Os rankings não medem a felicidade. Eles medem a engenhosidade do capitalismo em transformar o imensurável em mercadoria.

Faltam timoneiros

Na reta final da eleição presidencial, a PEC da Segurança Pública devolveu ao Senado o debate sobre a redução da maioridade penal. O governo Lula, acuado pela pauta punitiva da oposição, acenou com a medida que seu partido combatia historicamente. O problema real é o crime organizado enraizado no Estado e a resposta à consciência coletiva amedrontada não é prender meninos, é reconstruir a função civilizatória da política.